“A população mundial é composta de 7 bilhões de pessoas, das quais 805 milhões passam fome todos os dias. O mundo está ficando sem comida e nós precisávamos de um milagre – que aconteceu. Cumprimentem o ‘superleião’.”

É essencialmente assim que Lucy Mirando, uma empresária inescrupulosa interpretada Tilda Swinton, apresenta seu superleitão – um animal ecossustentável e, segundo ela, descoberto no Chile. Eles o reproduziram e a empresa mandou um para cada dos 26 países onde tem sede. Cada um para um fazendeiro local para que, por 10 anos, se desenvolvam e sejam apresentados ao mundo.

É numa dessas fazendas que Okja ganha seu nome. Na Coréia do Sul, a superleitoa entra na vida de Micha, uma camponesa pré-adolescente interpretada pela atriz coreana Ahn Seo-hyun. Daí nasce a história contada pelo diretor coreano Bong Joon-ho.

Sob uma história de amor entre uma menina e seu animal de estimação, o filme discute a indústria da carne e os maus tratos aos animais. A demagogia na fala da dona das Indústrias Mirando é evidente, então mencionar que haverá percalços não chega a ser um spoiler.

Okja tem algumas referências aparentes. O superleião é tão leitão quanto o porquinho da índia é porco. Okja parece mesmo é um hipopótamo-cachorro. Sua expressão, bastante humanizada, lembra muito a do cachorrão de História Sem Fim.

O filme pode ser visto por dois olhares diferentes: um é o político. Tem um mérito inegável de captar uma tendência importante: discutir transgênicos, ética no tratamento dos animais, ética empresarial, etc. É verdade que são temas abordados há um bom tempo, mas continuarão sendo algumas das grandes questões contemporâneas. Okja propõe uma discussão importante contando uma história que pode ajudar na nossa compreensão.

O outro lado é o artístico. Okja é um bom filme, mas longe de ser uma grande obra de arte. Tem um problema muito sério para mim: estereótipos mal trabalhados. A “típica empresária malvada”, o “típico camponês coreano”, o “típico ativista eco-amigo”. De modo geral, não gosto de estereótipos, mas entendo artistas que trabalham um personagem explorando estereótipos de forma coesa, como em Simpsons, Pulp Fiction ou Moulin Rouge. O que não funciona é ficar no meio do caminho.

Se considerarmos que Okja estará na mesma prateleira de “A Bela e A Fera”, então podemos levá-lo a sério. Se quisermos colocá-lo ao lado de “Diamante de Sangue”, não. Fora isso, Okja tem um trabalho gráfico muito bem feito, e algumas interpretações excelentes – com destaque para a protagonista.

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